← Todos os artigos

Dia dos Pais 2026 cresceu 7,7%, mas vestuário só 2,9%: o que isso diz da sua loja

O varejo cresceu 7,7% no Dia dos Pais 2026 (Cielo/ICVA), mas vestuário avançou só 2,9%: o presente masculino está migrando de roupa pra experiência.

Resumo: O bolo do Dia dos Pais cresceu, mas a fatia da moda encolheu em ritmo. Quem só esperou o cliente entrar perdeu venda pra restaurante, tecnologia e experiência.

O que aconteceu no Dia dos Pais 2026

O varejo brasileiro cresceu 7,7% em faturamento no Dia dos Pais 2026 (semana de 3 a 9 de agosto), o maior avanço da data desde 2022, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O e-commerce puxou com 12,1% e o físico veio de 6,6%. Parece festa pra todo mundo, só que não é: o vestuário subiu só 2,9%, bem abaixo da média do varejo, segundo dados divulgados pelo E-commerce Brasil a partir do mesmo ICVA. Ou seja, o bolo cresceu, a fatia da moda encolheu em ritmo.

MétricaVariação 2026Comparação
Varejo total (ICVA)+7,7%Maior alta desde 2022 (+11,7%)
E-commerce+12,1%Puxou o crescimento
Varejo físico+6,6%Sólido, mas atrás do online
Vestuário+2,9%Menos da metade da média

Por que o varejo cresceu e a moda não acompanhou?

Porque o presente do pai mudou de categoria. O consumidor gastou mais, mas gastou em outra coisa: restaurante, eletrônico, experiência. O Correio Braziliense mostra a sequência clara do ICVA: 2,3% em 2023, 5,5% em 2024, 5,9% em 2025 e agora 7,7%. É um ciclo de recuperação real da data. Só que quando a moda entrega 2,9% nesse embalo, o recado é duro: camisa e bermuda não estão mais no topo da lista de presente masculino.

O que muda pra loja de moda a partir daqui

Primeiro: parar de tratar o Dia dos Pais como se fosse Dia das Mães em versão masculina. Não é. O ticket é menor, a decisão é mais rápida e o presente compete com jantar e gadget. Segundo: a peça precisa contar uma história pra sair da prateleira. Camisa é camisa em qualquer lugar, mas camisa vendida com combinação pronta, com um vídeo do vendedor mostrando o look, com uma vitrine que grita "presente", essa sai.

É esse tipo de leitura que a gente trabalha com os lojistas na mentoria da Evolving: dado bruto do setor não serve pra nada se o dono da loja não traduz em decisão de compra, de vitrine e de conversa no balcão. O 7,7% do ICVA é manchete. O 2,9% do vestuário é o alerta que muda a temporada de quem tá atento.

E o dado do IEMI, não contradiz?

Não, complementa. O IEMI projeta que vestuário e calçados masculinos devem vender 153 milhões de peças em agosto de 2026, alta de 2,55%, com faturamento de R$ 6,6 bilhões (+6,10%). A moda masculina representou 33,6% das peças de vestuário em 2025. Ou seja, tem mercado, o cara compra roupa. O que ele não está comprando na mesma velocidade é roupa como PRESENTE. É venda de reposição, é auto compra, é ocasião, não é laço na sacola.

Como agir nos próximos ciclos

Olhar as datas comemorativas por categoria, não por manchete. Se a média do varejo sobe e a sua categoria não acompanha, o problema não é a data, é o posicionamento do produto dentro dela. Trabalhar combo (camisa + acessório, look pronto de presente) porque isso muda a categoria mental do cliente: sai de "roupa" e entra em "presente resolvido". E puxar mais o online, porque nesta data ele cresceu quase o dobro do físico. Quem estava só no balcão deixou dinheiro na mesa.

Fontes